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Doenças

Doenças do Lenho da Videira
As principais doenças do lenho da videira, escoriose, eutipiose e esca, são conhecidas desde há décadas, tendo-lhes sido tradicionalmente atribuídos como agentes causais os fungos Phomopsis viticola, no caso da escoriose, Eutypa lata, para a eutipiose, Stereum hirsutum e Fomitiporia punctata para a esca. Trabalhos recentes, efectuados em numerosos países vitícolas indicam que, para além destes fungos, outros poderão estar envolvidos nalgumas das doenças referidas, em particular na esca, tal como era conhecida tradicionalmente, e numa nova manifestação, em que são afectadas vinhas recentemente enxertadas. Esta última manifestação da doença é hoje em dia conhecida por uma das seguintes designações: “esca das vinhas jovens”, “declínio das vinhas jovens” ou, mais recentemente, por “Doença de Petri”.

Alguns dos fungos citados ocorrem simultaneamente nas videiras e, por vezes, associados ainda a outros patogénios (Cylindrocarpon destructans, Phaeoacremonium spp. e Phaeomoniella chlamydospora), até há poucos anos desconhecidos em Portugal


ESCORIOSE

A escoriose, causada por P. viticola, terá sido detectada em Portugal, em 1951, mas só a partir da década de 70 é que terá começado a preocupar os viticultores portugueses, muito provavelmente pelo abandono do uso do enxofre. É conhecida sob a designação de escoriose americana. Uma outra espécie de fungo, Macrophoma flaccida, foi também associada a sintomas de escoriose, através da Europa, estando actualmente enquadrada na espécie Fusicoccum aesculi e podendo considerar-se agente causal da escoriose europeia.


Sintomatologia

Escoriose americana
Os sintomas causados por P. viticola em videira surgem normalmente nos primeiros entrenós, na base dos sarmentos, apresentando ao fim de 6 a 8 semanas após o abrolhamento sintomas mais característicos e mais visíveis com diversos tipos de lesões, como:
- necroses escuras, alongadas e mais ou menos confluentes;
- a casca apresenta fendas longitudinais e transversais, mais ou menos profundas, provocando um enfraquecimento dos pâmpanos (Fig. 3).Por sua vez, as folhas também podem apresentar sintomas da doença, aparecendo pequenas pontuações circulares, castanhas e negras, com halo amarelado. Como consequência principal da doença, surge o não abrolhamento dos gomos da base dos sarmentos.

Escoriose europeia
A sintomatologia desta doença é visível sobretudo a nível dos sarmentos, bagos e engaço. Nos sarmentos pode dar origem à desnoca, ou seja, o fungo vai provocando o fendilhamento ao nível da base dos sarmentos, causando com o tempo um estrangulamento localizado que, associado à acção do vento e ao peso dos cachos, origina a quebra dos mesmos. Nos bagos, os sintomas da escoriose são mais visíveis na altura da maturação e manifestam-se pela presença de manchas arredondadas de cor castanha e em depressão, havendo também um endurecimento da película. O ataque do fungo (Fusicoccum sp.), ao nível das folhas, é muito raro.


EUTIPIOSE

A eutipiose é uma das doenças mais destrutivas de entre as que afectam o lenho da videira. Em Portugal, a doença foi assinalada em 1982, na região de Setúbal, estando hoje expandida a diversa regiões vitícolas do nosso País. Todavia, porque afecta essencialmente vinhas adultas ou já envelhecidas, não tem vindo a representar uma ameaça aos vinhedos nacionais.

Sintomatologia

A eutipiose desenvolve-se em ramos mortos, propagando-se o agente causal para videiras sãs, que apresentam diferente sensibilidade à doença.
As cepas atacadas, na Primavera, aquando do abrolhamento dos jovens gomos e do desenvolvimento dos rebentos, apresentam um aspecto raquítico e entrenós uniformemente curtos. As folhas são de reduzida dimensão, deformadas, com necroses na margem que originam fendilhamento. A nível do lenho, origina uma necrose sectorial, em forma de V (Fig. 2).


ESCA

A esca é uma doença conhecida desde finais do século XIX, tendo sido atribuída a dois fungos basidiomicetas, responsáveis pela degradação da madeira. Desde essa época até ao presente, sobretudo a partir dos anos 80, tem sido contestado o papel destes fungos “históricos” e outros, tão ou mais importantes, foram identificados como agentes causais da esca. A esca tem-se desenvolvido nos últimos anos, de forma extraordinária e preocupante, sendo reportada a sua recrudescência à última década. Esta doença pode manifestar-se de forma lenta, ou súbita, sendo conhecida, neste caso, sob a designação de apoplexia.

Sintomatologia

Independentemente dos agentes causais, os sintomas originados são idênticos. A esca manifesta-se por sintomas primários e secundários. Assim, ao nível dos sintomas primários podem referir-se:
- necroses à superfície dos ramos da cepa;
- fendas longitudinais nos mesmos orgãos;
- necroses internas que podem observar-se em corte transversal dos ramos e cepa, constituídos inicialmente por uma mancha escura que se estende a partir da medula e que, em fase mais avançada, adquire uma consistência esponjosa e de cor esbranquiçada na parte central, mantendo-se uma zona escura periférica separada da parte sã por uma linha negra (Fig. 1).

Relativamente aos sintomas secundários referem-se os seguintes:
- manchas e necroses nas folhas, que podem ser confundidas com os estados de carência de magnésio, nas castas brancas, e com os de potássio ou com o avermelhamento de origem fisiológica, nas castas tintas;
- pequenas manchas escuras bordejadas de anel castanho-púrpura nos bagos;
- redução progressiva da vegetação e rebentação.


PÉ NEGRO DA VIDEIRA

Em Portugal, a doença designada por Pé Negro atribuiu-se a Cylindrocarpon destructans, pois a base das cepas apresenta-se negra e com diversas zonas necrosadas.

Sintomatologia

C. destructans é um fungo do solo que ataca principalmente vinhas jovens. As cepas atacadas evidenciam um fraco desenvolvimento vegetativo, amarelecimento e murchidão ao nível das folhas e, ainda, entrenós curtos. Por vezes, as folhas das cepas atacadas adquirem precocemente coloração
avermelhada, visível no início do Verão.

Por ser um fungo do solo, a doença aparece com frequência nos porta-enxertos, que apresentam uma necrose vascular intensa com início na parte basal, prolongando-se a todo o porta-enxerto. Frequentemente, são emitidas novas raízes que, normalmente, são insuficientes para a sobrevivência da cepa, já que o fungo ataca a zona radicular que se torna negra e danificada. O fungo é também isolado, com frequência, da zona de enxertia e do garfo.